Cada carta nasceu do colo de uma mulher real
As mulheres da minha linhagem sempre souberam ler sinais. Minha avó lia o fundo da xícara de café. Minha bisavó lia o vento batendo na janela. Eu, que cresci num mundo de planilhas e prazos, achei que tinha esquecido como se fazia. Até a noite em que tudo desabou — e a única coisa que me levantou foi uma frase que veio do nada, no meio de uma oração que eu nem sabia que estava fazendo.
Aquela frase virou a primeira carta. Depois vieram outras 76 — escritas em noites de insônia, em rituais de lua, em conversas com mulheres que me procuravam pedindo um conselho que eu não tinha. Cada uma nasceu de uma dor real, de um pedido real, de uma virada real.
"Não escrevi essas cartas. Elas atravessaram por mim para chegar até você."
Hoje, depois de anos guardando esse oráculo só para mim e para um círculo pequeno de amigas, decidi soltar. Porque toda mulher merece ter, ao alcance da mão, uma voz que a lembre de quem ela é. Mesmo nos dias em que ela esquece.
Se você está lendo isso até aqui, é porque uma das 77 cartas já está te chamando. Ela sabe seu nome.